quarta-feira, 9 de maio de 2007

ESCOLA INTERACTIVA OU INTERACTIVIDADE NA ESCOLA?

O termo ‘escola interactiva’ está a entrar cada vez mais no nosso vocabulário corrente.

Cada vez mais, fala-se em ‘escolas interactivas’ para designarmos as escolas que têm computadores na sala de aula. Esse é o significado mais corrente desta expressão, a julgar pelo que vemos e ouvimos nos meios de comunicação social.

Mas, será que basta termos ferramentas tecnológicas nas escolas para que a Educação atinja os seus verdadeiros objectivos?

Pensamos que não.
Não é a tecnologia, só por si, que melhora o nosso sistema de ensino.
Consideramos um erro que nas antigas disposições de uma sala de aula se coloquem computadores e a isso se chame pomposamente ‘escola interactiva’.

A tecnologia permite a interactividade, não a dá.
A interactividade tem que ser um produto da Educação e não da tecnologia.
Para haver a dita ‘interactividade’ é necessário começarmos por alterar a disposição da sala de aula.
Não é necessária uma mobília escolar sofisticada, basta que seja ergonómica. Terão é que estar dispostas em volta do professor.
Ninguém fica à frente ou atrás. Todos estão ao mesmo nível.
Depois, terá que haver a preocupação de preparar os alunos para o presente, não o ‘presente’ do professor mas o ‘presente’ dos alunos.
Ou seja, os alunos de hoje são os cidadãos de amanhã. Devem por isso, estar preparados para as mudanças naturais da sua realidade.
Não basta continuar a ensinar às crianças as vogais e os números, é necessário que estejam aptos para serem cidadãos preocupados e preparados para lidarem com questões como a ecologia, aceitação da diversidade de outras culturas, novos produtos da ciência e suas questões ou até problemas energéticos.
Não se pense que são questões demasiado avançadas para crianças que iniciam a sua aprendizagem. Pois estes são problemas que vão afectar muito mais a realidade deles do que está a afectar a nossa, e já nos afecta bastante.
Hoje, dar uma boa formação a estes cidadãos do futuro é prepará-los para o que há-de vir e não prendê-los a um ensino do século XIX.
A interactividade é antes de tudo um trabalho de conjunto entre alunos e professor e tem que ter objectivos bem pensados e apontados à funcionalidade do futuro. A tecnologia é apenas um meio, que apesar de muito superior aos meios tradicionais, apenas transporta o ensino que se quiser dar.

Por isso ‘escola interactiva’ tem que ser um pleonasmo e não uma expressão da moda. Na medida da sua maleabilidade para objectivos claros e funcionais de preparação de futuros cidadãos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Cá está uma maneira de ver clara e acertada.

Parabéns.

Não desistam.

Poluição televisiva

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Cuidar em vez de 'domesticar'

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